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18/03 BM Treina

A Importância da Semiologia nas Doenças Cardiovasculares

A semiologia cardiovascular é um importante componente no atendimento inicial de qualquer paciente e em qualquer circunstância. Nos atendimentos das emergências cardiovasculares possui grande relevância e a sua adequada realização permite obter informações que, combinadas, orientam o diagnóstico, a terapêutica e o prognóstico.

A semiologia consta de anamnese, exame físico geral e dirigido, que são elementos importantes para fornecer o diagnóstico (anatômico, funcional e etiológico), indicar os exames subsidiários e, como consequência, determinar a terapêutica e o prognóstico.

A anamnese, etimologicamente do grego anamnesis, significa recordação. E, na medicina, indica tudo que se refere à pesquisa dos sintomas da doença atual. Deve-se nesse momento realizar a identificação do paciente, descrever a queixa principal e sua duração e, posteriormente, a história pregressa da moléstia atual.

A adequada utilização da análise sistematizada da história clínica desencadeia uma precisão diagnóstica na maior parte dos casos, a depender do tipo de sintoma apresentado pelos pacientes.

Entre os principais sintomas que fazem parte da semiologia cardiovascular e que devem ser questionados na anamnese, tem-se: dispneia, dor torácica, palpitações, lipotimia, síncope, edema.

A próxima etapa da semiologia em emergências cardiovasculares corresponde ao exame físico geral e, mais especificamente, ao exame físico especial do aparelho cardiovascular. Esse último é composto de variáveis quantitativas e qualitativas.

No exame físico geral serão descritos o aspecto geral que, classicamente, é expresso em siglas, como: BEG (Bom Estado Geral), REG (Regular Estado Geral) ou MEG (Mau Estado Geral).

Em seguida, realiza-se a inspeção do pulso venoso jugular, onde por meio da avaliação da veia jugular externa pode-se discriminar o estado de baixa ou de alta pressão venosa central.

Os pulsos arteriais, como é avaliado no exame físico, decorre de alterações da pressão intravascular. As características básicas que devem ser investigadas na avaliação dos pulsos arteriais são:

  1. Frequência: considera-se normal uma frequência em torno de 60 a 80 bpm
  2. Ritmo: deve-se avaliar se o ritmo é regular ou irregular.
  3. Simetria: que é a percepção da amplitude dos pulsos palpáveis em comparação com o mesmo pulso contralateral.
  4. Formato: alterações de formato são de difícil percepção e exigem muita prática. Dois formatos são bastante distintos como o pulso parvus tardus, onde tem-se amplitude reduzida e duração prolongada observado na estenose aórtica; e o pulso em martelo d’água que se trata de um pulso com amplitude aumentada e duração reduzida observado na insuficiência aórtica.
  5. Amplitude: deve ser definida por uma escala individual dependente da experiência acumulada do observador.

Em seguida, por meio da inspeção e da palpação do precórdio, que devem ser realizadas simultaneamente, pode-se obter informações valiosas a respeito da câmara cardíaca ventricular esquerda e do ventrículo direito.

Posteriormente, à inspeção e palpação do precórdio, faz-se a ausculta cardíaca que, apesar do grande avanço dos métodos diagnósticos de imagem, permanece indispensável ao diagnóstico das enfermidades cardíacas. Em uma ausculta cardíaca correta, todo o precórdio e as regiões circunvizinhas, como região axilar esquerda, dorso e o pescoço, precisam ser auscultados. Os clássicos focos para ausculta cardíaca servem como pontos de referência:

  1. Foco mitral: quarto e quinto espaços intercostais ao longo da linha axilar anterior esquerda.
  2. Foco tricúspide: quarto e quinto espaços intercostais ao longo da borda esternal esquerda.
  3. Foco aórtico: segundo espaço intercostal ao longo da borda esternal direita. Há também o foco aórtico acessório, situado no terceiro espaço intercostal esquerdo, na linha paraesternal.
  4. Foco pulmonar: segundo espaço intercostal ao longo da borda esternal esquerda.

Na sistematização da ausculta cardíaca, deve-se ter como objetivo a caracterização do ritmo cardíaco (se regular ou irregular), a frequência cardíaca, a avaliação das bulhas cardíacas (intensidade e desdobramentos), a procura de ruídos adicionais (3ª e 4ª bulhas, clicks, estalidos, ruídos de próteses), sopros cardíacos e atritos.

Outro importante item do exame físico especial é a medição da pressão arterial. Esta deverá ser realizada com manguito apropriado para a circunferência do braço do paciente.

Ainda fazendo parte da semiologia cardiovascular, tem-se a avaliação do aparelho respiratório, pois manifestações nosológicas se entrelaçam entre este e o sistema circulatório. O exame físico de ambos os sistemas faz parte da propedêutica torácica.

Por fim, deve-se realizar a propedêutica física do abdômen, pois achados significativos podem ser mensurados nos pacientes com insuficiência cardíaca congestiva e doenças da aorta.

Conclui-se que a semiologia cardiovascular é instrumento que o médico carrega consigo e para a sua realização basta um ambiente adequadamente iluminado e quietude para uma boa ausculta cardíaca. Esse instrumento ainda é insubstituível e não deve ser desvalorizado.    

Por Dra. Elizabete Silva dos Santos

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